Acusados pela morte de cinegrafista vão a júri popular


Acusados pela morte de cinegrafista vão a júri popular no Rio
Dupla responde por homicídio triplamente qualificado.
Data do julgamento ainda não foi definida.

Caio (de óculos) e Fábio preferiram o silêncio em audiência de instrução do caso, realizada em maio. Ambos estão presos desde fevereiro. (Foto: José Pedro Monteiro / Agência O Dia / Estadão Conteúdo)
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Os dois jovens acusados de envolvimento na morte do cinegrafista Santiago Andrade irão a júri popular. A decisão foi tomada pelo juiz Murilo Kieling, do Terceiro Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. A data do julgamento ainda não foi definida.
              Santiago Andrade morreu em fevereiro após cobrir 
              protesto no Centro do Rio
             (Foto: Reprodução GloboNews)

Caio Silva de Souza e Fábio Raposo respondem por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, impossibilidade de defesa da vítima e uso de explosivo). Santiago Andrade morreu em fevereiro, depois de ser atingido na cabeça por um rojão, enquanto cobria uma manifestação no Centro do Rio.

O advogado Wallace Martins, que defende Fábio Raposo, disse ao G1 que vai estudar se recorrerá ou não da pronúncia do juiz Murilo Kieling. Ele se disse indignado com a decisão do magistrado de que a dupla vá a júri popular. "Eu acreditava numa maior sensibilidade do magistrado. É tão inverossímil a tese do dolo eventual que, sinceramente, a decisão busca quase que uma esquizofrenia jurídica. Ela é absurda e incomensurável", disse o defensor.

O advogado que representa Caio, Antônio Pedro Melchior, não foi localizado para comentar a decisão.

Em maio, durante a última audiência de instrução do caso, Caio e Fábio optaram por ficar em silêncio. Os advogados decidiram fazer as alegações por escrito e disseram que dispensaram as testemunhas porque o juiz indeferiu o pedido para que fossem trocadas as pessoas que seriam ouvidas.

Quatro das 17 testemunhas do caso foram ouvidas em audiência realizada em abril. Argumentando que os réus colaboraram com as investigações, a defesa pediu a revogação da prisão preventiva, o que foi negado pelo juiz Murilo Kieling.

Prisão
A Justiça aceitou em 20 de fevereiro a denúncia do Ministério Público contra os dois acusados. Raposo e Caio também tiveram a prisão temporária convertida em preventiva. Se condenados, eles podem receber pena de até 30 anos de prisão cada um.

A promotora Vera Regina de Almeida, titular da 8ª Promotoria de Investigação Penal, responsável por avaliar o inquérito de 175 páginas, assinou a denúncia aceita pelo TJ. No texto, a promotora afirma que Caio e Fábio atuaram em conjunto, com "divisão de tarefas".

"Na execução do crime, os denunciados agiram detendo o domínio funcional do fato, mantendo entre eles uma divisão de tarefas, com Fábio entregando para Caio o rojão com a finalidade, previamente por ambos acordada, de direcioná-lo ao local onde estava a multidão e os policiais militares e, assim, causar um grande tumulto no local, não se importando se, em decorrência dessa ação, pessoas pudessem vir a se ferir gravemente, ou mesmo morrer, como efetivamente ocorreu", diz o texto.

Risco de matar
Em outro trecho, a promotora Vera Regina de Almeida sustenta que, ao acender o rojão, a dupla assumiu o risco de matar.

"Agindo assim, os denunciados, de forma consciente e voluntária, em comunhão de ações e desígnios, expuseram a perigo a vida e a integridade física das pessoas que se encontravam no local, bem como o patrimônio público, mediante a colocação de artefato explosivo. Da mesma forma, assumiram o risco de causarem a morte de outrem, não se importando com quem estivesse próximo ao local onde o rojão foi acionado, causando, assim, a morte de Santiago Ilidio Andrade, que foi atingido na parte de trás da cabeça", diz o texto.

Fábio foi preso em 9 de fevereiro na casa dos pais, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste, e Caio foi detido no dia 12, em uma pousada em Feira de Santana, na Bahia. Eles estão presos no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste.
Santiago Andrade foi atingido na cabeça por um rojão durante cobertura de um protesto que terminou em confronto no Centro do Rio. (Foto: Marcos Arcoverde/Estadão Conteúdo)


fonte: G1 Rio

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