Convenção do PSDB 2015: Aécio Neves é reeleito para presidir o PSDB por mais dois anos


Convenção nacional reconduziu senador ao comando do partido até 2017.
Evento partidário contou com a presença de FHC, Alckmin e Serra.


Aécio Neves discursou durante 31 minutos na convenção nacional do PSDB que o reconduziu à presidência do partido. (Foto: André Dusek / Estadão Conteúdo)

Oito meses após ser derrotado na corrida pelo Palácio do Planalto, o senador Aécio Neves (MG) foi reeleito neste domingo (5) por integrantes do PSDB para mais um mandato no comando do principal partido de oposição do país. Candidato único na eleição interna, o parlamentar tucano foi aclamado pelos colegas de sigla durante convenção nacional realizada em um hotel de Brasília.
Esse grupo político que aí está, está caminhando a passos largos para a interrupção deste mandato. [...] O Brasil de hoje, com essas revelações diárias de corrupção, é incapaz de alimentar esperanças. Este não é o Brasil que queremos, o Brasil com o qual sonhamos"
Aécio Neves (MG), senador e presidente nacional do PSDB

Aécio assumiu o comando do PSDB em maio de 2013, antes de oficializar sua candidatura à Presidência da República nas eleições do ano passado. O novo mandato do tucano se estenderá até 2017, um ano antes da eleição presidencial.

"Esse grupo político que aí está está caminhando 
a  passos largos para a interrupção deste mandato. 
A  verdade  é  que a  presidente não governa mais. 
Ela perdeu o controle da máquina  administrativa
 do Brasil. Terceirizou  a  condução  do  Brasil  na
 economia e  na  política.   O Brasil  de  hoje, com
 essas revelações diárias  de  corrupção,  é incapaz 
de alimentar esperanças. Este  não  é o  Brasil  que
queremos,   o    Brasil    com   o    qual    sonhamos", 
discursou Aécio.


Expoentes do PSDB, como o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e os senadores José Serra (SP) e Aloysio Nunes (SP), prestigiaram o evento partidário que reconduziu Aécio. Além deles, centenas de militantes, parlamentares e dirigentes tucanos de todo o país lotaram o centro de convenções do hotel Royal Tulip, localizado a cerca de 500 metros de distância do Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República.

Mesmo depois da derrota nas urnas para a presidente Dilma Rousseff em 2014, Aécio se fortaleceu internamente no PSDB nos últimos meses diante da crise política e econômica enfrentada pelo governo petista.

A quatro anos das eleições, ele é considerado um dos potenciais candidatos do partido oposicionista para a sucessão de Dilma em 2018. Outros nomes lembrados pelos tucanos para a próxima disputa presidencial são os de Alckmin e Serra, que também já concorreram à Presidência.

Neste domingo, Aécio ingressou no auditório do centro de convenções, por volta das 11h30, acompanhado por FHC e Alckmin. No percurso até o palco, o presidente reeleito do PSDB foi assediado por militantes tucanos, que tentavam se aproximar dele para tirar selfies. Em coro, integrantes da ala jovem do PSDB saudaram o senador mineiro com palavras de ordem, como "A juventude já decidiu, Aécio Neves presidente do Brasil".

Ao final dos discursos de parlamentares e governadores tucanos, de dirigentes de partidos oposicionistas e do ex-presidente FHC, Aécio foi anunciado oficialmente presidente reeleito do PSDB. Ao abrir seu discurso, ele fez uma homenagem a Fernando Henrique diante da militância, dizendo que o ex-presidente "inspira" os tucanos na tarefa de "conduzir o maior partido da oposição".
Neste ano, o mundo vai crescer em torno de 3,5%, os países emergentes, segundo o FMI, mais de 4%. E o Brasil? vai retroceder este ano 2%. Todo o resto do mundo cresce, enquanto nós andamos para trás"
Aécio Neves

Ao longo dos 31 minutos de discurso, o presidente reeleito do PSDB atacou a gestão da presidente Dilma, voltou a criticar a postura do PT durante a eleição do ano passado e insinuou que a petista corre o risco de não concluir seu mandato à frente do Executivo.

O tucano também fez críticas à condução
da  economia.  "Neste ano, o  mundo  vai 
crescer em   torno   de   3,5%,  os  países 
emergentes, segundo o  FMI,  mais  de 4%. 
E o  Brasil?   vai  retroceder   este   ano 2%. 
Todo  o  resto do mundo cresce,  enquanto
 nós andamos para trás", disse.
 "Praticamos as taxas  de  juros  mais  altas
do   planeta.   A  produção  da  indústria  se 
encontra no mesmo nível de 2008. São sete
anos de competitividade que perdemos."

Aécio disse que o governo não consegue dar respostas à crise e chamou o ajuste fiscal proposto pelo Executivo como "de péssima qualidade". "Para um país que precisa crescer, é inaceitável que investimentos públicos venham caindo e que gastos continuem intocados. "Temos em curso um ajuste sem reformas, e ajuste sem reforma só tem um nome: arrocho."

Críticas ao governo Dilma
A exemplo de Aécio, os oradores do PSDB centraram seus discursos, durante a convenção, em críticas e acusações à presidente da República e ao PT.

Candidato derrotado à Presidência em 2002 e 2010, José Serra declarou, durante discurso de cerca de 20 minutos, que o Brasil está enfrentando, neste momento, a pior crise que ele já viu "desde que se conhece por gente". Conforme o senador tucano, o país registra desemprego elevado, além de queda do consumo e da renda.

Procurada pelo G1, a assessoria de imprensa do Palácio do Planalto informou que não irá se manifestar sobre as críticas ao governo.





Senador Aécio Neves (PSDB-MG) é cumprimentado pelo senador José Serra (PSDB-SP) durante convenção do PSDB neste domingo, em Brasília (Foto: André Dusek/ Estadão Conteúdo)

Serra disse que o Brasil só voltará a apresentar crescimento consistente do emprego e da renda se ocorrer uma "reindustrialização". "Será uma missão muito dificil [sair da crise], por conta do estrago feito pela era petista, que foi e é gigantesco. [...] Se Deus quiser, o Brasil terá melhores governos", opinou. Durante a convenção, o senador defendeu o parlamentarismo como sistema de governo.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmou que o PT "não gosta dos pobres". "Governar é escolher e ficou claro que PT não gosta dos pobres, do social; gosta do poder a qualquer preço", disse.

Alckmin disse ser favorável a uma reforma política que reduza a influência de empresas nos partidos e campanhas. "Defendemos uma reforma política que diminua o número de partidos, hoje 32 e 28 pegando assinaturas, que diminua a promiscuidade entre partidos e empresas."
Defendemos uma reforma política que
 diminua o número de  partidos,  hoje 
32 e 28  pegando  assinaturas,  que 
diminua  a  promiscuidade  entre
partidos e empresas"
Geraldo Alckmin, governador de São Paulo

O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), convocou os integrantes da sigla a irem às ruas para "salvar o país". Em tom irônico, ele disse que o partido não defende golpe. "Golpe foi o que eles praticaram contra o povo brasileiro", ressaltou o senador tucano, em referência ao governo petista.

Cunha Lima declarou ainda que, durante anos, o PT tentou dividir o Brasil. "O Brasil hoje está dividido. Do lado de lá, governo corrupto do PT, do lado de cá, o povo brasileiro que vai às ruas."

O líder do partido na Câmara, deputado Carlos Sampaio (SP), atribuiu ao governo do PT a responsabilidade por problemas registrados na saúde pública.

Oposição
Dirigentes e parlamentares de outros partidos, incluindo um senador de uma legenda que integra a base aliada da presidente Dilma Rousseff, também discursaram na convenção nacional do PSDB. Diante da militância tucana, eles teceram duras críticas à gestão petista.
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O presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (SP), defendeu uma "intervenção das forças democráticas" do país para fazer frente à gestão de Dilma. Para ele, o clímax da crise econômica ainda não foi atingido no Brasil. "[A crise econômica] vai se aprofundar, piores consequências teremos", enfatizou.

Presidente do DEM, o senador Agripino Maia (RN) chegou a falar em "antecipar eleições", em razão de suspeitas de abuso de poder econômico por parte do PT na eleição de 2014. Na visão de Agripino, Dilma "terceirizou o país" e não controla todas as áreas do governo. "O Brasil quer um presidente que manda", observou o presidente do DEM.

Já o senador do PR Magno Malta (ES) disse que, apesar de o partido dele fazer parte da base governista, ele se considera "da base do povo". O parlamentar do PR arrancou aplausos da militância tucana ao afirmar que os parlamentares não devem "dar refresco" aos pacotes que são enviados pelo Palácio do Planalto ao Congresso Nacional.

Em meio ao evento, o locutor leu uma carta enviada pelo presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, que não compareceu à convenção. No texto, o dirigente do PSB, partido que apoiou Aécio no segundo turno da eleição presidencial do ano passado, falou em superar a situação atual do país.

"Expresso minha esperança de que forças políticas e democráticas possam criar condições necessárias para superar as dificuldades vividas pelos brasileiros", disse Siqueira no comunicado.
Centenas de militantes do PSDB lotaram convenção nacional do PSDB, em Brasília (Foto: Laís Alegretti / G1) (fonte G1.globo.com)

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