Temer na ponta dos cascos.

Do ponto de vista das articulações políticas que nunca param em Brasília, a declaração do senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) de que o vice-presidente Michel Temer "estará pronto" parece ter sido a mais importante desses últimos dias, em que a palavra impeachment domina.
 Ao deixar o gabinete de Temer, na quarta, 9, Ferraço fez uma declaração curta, toda ela carregada de significados.
Para começar, disse que Temer não fará qualquer tipo de movimento pró-impeachment. Mas, acrescentou, "se a conclusão dos fatos, de acordo com o que determina a Constituição, revelar a decisão do Congresso brasileiro, na direção de sucessão natural, ele (Temer) naturalmente estará pronto em face das responsabilidades constitucionais que tem".

Nota-se que Ferraço foi cuidadoso com as palavras. Não utilizou impeachment, usou "fatos" no lugar de "crime de responsabilidade", falou em "sucessão natural" para se referir à hipotética ascensão do vice, e citou o artigo 79 da Constituição, que trata das responsabilidades constitucionais do vice-presidente da República, entre elas, a de assumir o posto do titular em caso de vacância.
 Na carta que escreveu à presidente Dilma, na qual se queixou da forma como é tratado e da desconfiança em relação a ele e ao PMDB, Temer lembrou que tem plena consciência do que diz tal artigo.
 A conversa de Temer com os senadores do PMDB foi muito mais proveitosa do que a do meio da noite com a presidente Dilma Rousseff, articulada por assessores dos dois lados.
 De acordo com nota da Presidência da República, os dois decidiram que terão uma relação extremamente profícua, tanto pessoal quanto institucional, sempre considerando os maiores interesses do País.

Diz pouca coisa.

Quem conhece Temer sabe que não é de seu perfil jogar cascas de banana para alguém cair. Mas ele é político e conhecido articulador.
Tanto é que antes de se encontrar com a presidente ele ajudou a derrubar o deputado Leonardo Picciani (RJ) da liderança do PMDB. Picciani era um forte aliado do Palácio do Planalto.

João Domingos é coordenador do serviço Análise Política, do Broadcast Político. (fonte blog CoroneLeaks)

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