Agência de João Santana elegeu sete presidentes em campanhas eleitorais

Além da sede no Brasil, Pólis Propaganda tem escritórios em quatro países.Empresa recebeu R$ 70 milhões da campanha de Dilma Rousseff em 2014.

A Pólis Propaganda e Marketing, empresa do jornalista e publicitário João Santana, com prisão decretada pela Operação Lava Jato, tem escritórios em quatro países e já elegeu sete presidentes na América Latina e na África, segundo o site da empresa.
Fundada no Brasil em 2012, a agência está hoje presente também na Argentina, República Dominicana, El Salvador e Panamá e também já atuou em campanhas eleitorais em Angola e na Venezuela.
Santana coordenou a campanha que reelegeu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006, em que o petista obteve 58 milhões de votos contra Geraldo Alckmin (PSDB-SP), atual governador de São Paulo.
Em 2010, deu a vitória a Dilma Rousseff com 55,8 milhões de votos, na primeira disputa eleitoral de que a presidente participou, concorrendo contra o ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB).


Na reeleição da petista, em 2014, a Pólis recebeu R$ 70 milhões da campanha, em valores declarados ao Tribunal Superior Eleitoral para "produção de programas de rádio, televisão ou vídeo". A vitória contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi mais apertada, com uma diferença de 3 pontos percentuais.

No mesmo ano, a agência recebeu mais R$ 8 milhões do Partido dos Trabalhadores; e sua agência de internet, Digital Pólis, recebeu R$ 4 milhões do então candidato ao governo de São Paulo Alexandre Padilha (PT).

Atuação internacional
A atuação internacional começou em 2003, na Argentina, onde a empresa coordenou campanhas legislativas, municipais e governamentais até 2007 na região de Córdoba.

Em El Salvador, a Pólis fez a campanha que elegeu presidente Maurício Funes, em 2009. Ele foi eleito pela Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), grupo guerrilheiro formado nos anos 1980 que se transformou em partido em 1992 e nunca havia chegado ao poder.

Em 2012, a Pólis atuou em três campanhas. Em Angola, elegeu o presidente José Eduardo dos Santos pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), com 71,84% dos votos.

Marqueteiro João Santana tem prisão decretada na 23ª fase da Lava Jato

No mesmo ano, reelegeu na Venezuela o ex-presidente Hugo Chávez (1954-2013) na época diagnosticado com câncer. Ao lado do vice e atual presidente Nicolás Maduro, Chávez venceu o oposicionista Henrique Capriles por 54,4% a 44,9% dos votos.

Na República Dominicana, também em 2012, Santana coordenou a campanha de Danilo Medina, que disputou contra o ex-presidente Hipólito Mejía.

No Brasil, Santana atuou na campanha de Fernando Haddad (PT), eleito para a Prefeitura de São Paulo mesmo iniciando a disputa com 4% das intenções de voto. Na eleição, ele venceu o ex-prefeito e ex-governador José Serra (PSDB) no segundo turno.

Derrotas
Em ao menos duas disputas internacionais, no entanto, Santana não emplacou candidatos vitoriosos.

No mesmo ano em que reelegeu Dilma, em 2014, o candidato que ajudou, José Domingo Arias, chegou a liderar as pesquisas de intenção de voto e era o preferido do então presidente, Ricardo Martinelli, mas perdeu para o então vice-presidente do país Juan Carlos Varela.

Ainda em 2015, João Santana trabalhou para a campanha do ex-governador da província de Córdoba José Manuel de la Sota, pré-candidato a presidente da República. Ele, no entanto, não chegou a disputar o cargo, pois perdeu nas primárias, em disputa interna da coalizão Unidos por Uma Nova Argentina (UNA), para Sergio Massa, da Frente Renovadora.

Suspeitas na Lava Jato
Ainda antes da 23ª fase da Lava Jato, deflagrada nesta segunda (22) para investigar repasses de subsidiárias da Odebrecht para contas controladas pela Pólis em paraísos fiscais, a empresa já havia negado irregularidades nas operações em janeiro.

Na época, a revista "Veja" publicou reportagem sobre as investigações, classificada pela Pólis como "furada". A empresa negou que fizesse caixa dois para campanhas e afirmou recolher todos os impostos, com as contas aprovadas pelo TSE.

"O Grupo Pólis possui agências autônomas no Brasil, e em outros países. As empresas funcionam de forma independente, operacional e financeiramente. Não há trânsito de recursos entre elas. Valores recebidos de campanhas brasileiras sempre foram pagos no Brasil, e valores recebidos por campanhas no exterior foram pagos no exterior, seguindo as regras e a legislação de cada país", afirmou em nota.

João Santana recebeu US$ 7,5 milhões em conta secreta no exterior, segundo a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. Investigadores suspeitam que ele foi pago com propina de contratos da Petrobras.

"Há o indicativo claro de que esses valores têm origem na corrupção da própria Petrobras. É bom deixar isso bem claro, para que não se tenha a ilusão de que estamos trabalhando com caixa 2, somente", disse o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima. 
(fonte: Do G1, em Brasília)

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