Alvo da PGR, Dilma ataca Delcídio – mas não explica suspeitas

Presidente da República classificou as denúncias de seu ex-líder no Senado como "levianas e mentirosas". Ela também disse que pedirá à Justiça apuração de vazamento

Presidente Dilma Rousseff participa de cerimônia do lançamento do Plano Agrícola e 
Pecuário 2016/2017 no Palácio do Planalto em Brasília (DF) - 04/05/2016(Roberto
 Stuckert Filho/PR)

Um dia depois de a Procuradoria-Geral da República pedir ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito para investigá-la sobre tentativas de interferir na Operação Lava Jato, a presidente Dilma Rousseff não deu explicações sobre as suspeitas que pairam contra ela e buscou um embate com o delator: seu ex-líder no Senado, Delcídio do Amaral (MS), que deixou o PT e está prestes a ser cassado. Dilma convenientemente também ignorou o fato de que o procurador-geral Rodrigo Janot também busca apurar a obstrução da Lava Jato com a nomeação para ministro da Casa Civil do ex-presidente Lula, já denunciado ao Supremo. A nomeação, uma maneira de blindá-lo com o foro privilegiado, foi suspensa pela corte.

"As denúncias feitas pelo senador Delcídio do Amaral são absolutamente levianas e sobretudo mentirosas", disse Dilma em breve pronunciamento a jornalistas no Palácio do Planalto. Ela apenas se pronunciou sobre Delcídio e virou as costas sem responder a nenhuma pergunta. "O senador Delcídio tem a prática de mentir e isso ficou claro ao longo de toda essa questão relativa a sua prisão a partir das gravações. Tenho certeza que a abertura do inquérito vai demonstrar apenas que o senador, mais uma vez, faltou com a verdade. Ele​ acusava na primeira gravação ministros do Supremo. Depois retirou a acusação. Agora acusa a mim. Tenho consciência das mentiras do senador Delcídio do Amaral e acho que a credibilidade do senador é bastante precária. Acredito que é necessário investigar da onde surgem essas afirmações do senador e comprovar."

Delcídio foi preso por tentar comprar o silêncio e facilitar a fuga do também delator Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras. Em acordo de colaboração premiada fechado com o Ministério Público na cadeia, ele disse que agia a mando do governo, citou Dilma, o ex-presidente Lula e o então ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Também afirmou que a nomeação do ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas para o Superior Tribunal de Justiça era uma maneira de o governo tentar a libertação de empreiteiros presos.

Dilma disse ser a favor de investigações, mas voltou a repetir o mais que desgastado discurso do "vazamento" da existência do inquérito. É a mesma reação de quando vieram à público pela imprensa os termos da delação premiada de Delcídio. Dilma afirmou que pedirá ao advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo (PT), também implicado por Delcídio, que solicite apurações à Justiça. "O que querem com isso é o dano feito", afirmou a presidente. "O vazamento de algo que tudo indica estava sob sigilo e estranhamente vaza às vésperas do julgamento no Senado. Aqueles que vazaram têm interesses escusos e inconfessáveis."

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